O candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal(PRTB), recentemente trouxe à tona a ideia de um suposto “consórcio comunista” no Brasil, envolvendo figuras de esquerda e intelectuais, sugerindo que há uma articulação estratégica entre esses grupos. Essa teoria se apoiou a princípio na observância de debates entre os candidatos a prefeito de São Paulo, que, com excessão de Marina Helena(NOVO), se uniram para atacar Pablo Marçal, candidato declaradamente de direita e que demonstrou ter chances reais de chegar ao segundo turno.
Recentemente essa ideia do “consórcio comunista” foi reforçada quando observamos as doações substanciais feitas, a candidatos de esquerda em todo o Brasil, por personalidades como a escritora Beatriz Bracher, que doou R$ 150 mil para a campanha de Tabata Amaral (PSB) à prefeitura de São Paulo, e R$ 40 mil para Aava Santiago (PSDB), candidata a vereadora em Goiânia, entre outras doações espalhadas pelo país, todas a candidatos declaradamente de esquerda. (informações retiradas do Portal DivulgaCandContas)



Mesmo com a doação feita a Tabata, Bracher manifestou publicamente apoio a Guilherme Boulos (PSOL) para prefeito de São Paulo, sob o argumento de “voto útil”, o que causou estranheza, pois tanto Boulos quanto Tabata concorrem ao mesmo cargo. Essa contradição levanta suspeitas sobre as reais intenções da escritora: estaria Bracher tentando enfraquecer a candidatura de Tabata, deslocando seus eleitores para Boulos, que representa uma ala mais à esquerda? e para isso usaria o argumento de “voto útil”? ou seja, não se vota mais por convicção e sim para “aproveitar” o voto? Será que a doação seria uma tentativa de “calar” a a voz de Tabata, retirando-a do páreo de forma indireta e favorecendo outro candidato mais alinhado ideologicamente?
Nesse contexto, também se coloca a figura de Aava Santiago, candidata a vereadora em Goiânia pelo PSDB. Embora o PSDB seja tradicionalmente um partido de centro-direita, Aava se declara de esquerda e é abertamente alinhada com o governo federal. Ela defende pautas progressistas, posicionando-se como uma voz ativa na oposição à direita nas discussões sociais e políticas de temas contemporâneos. Isso faz dela uma candidata peculiar dentro de seu partido, que alinha-se com as causas apoiadas por doadores progressistas como Beatriz Bracher.
A presença de Aava no PSDB e o apoio que recebe de uma figura da elite intelectual alinhada à esquerda reforçam as especulações de que há uma estratégia maior por trás dessas movimentações, possivelmente envolvendo a promoção de agendas progressistas em diversas esferas políticas do país, independentemente das alianças partidárias. No entanto, até o momento, essas suspeitas permanecem sem evidências concretas, e a ideia de um “consórcio comunista” continua no campo da especulação política, porém com aquele 1% de possibilidade de ser real.
A noção de um “consórcio comunista” como sugerido por Pablo Marçal se alimenta das complexidades e contradições do atual cenário político. A doação de Beatriz Bracher a diferentes candidatos de esquerda e centro-direita levanta questões sobre estratégias eleitorais, mas ainda carece de provas para ser considerada parte de um plano coordenado. Por ora, parece mais uma estratégia retórica do que uma realidade política estabelecida.
Por Gustavo Brito
Comunicólogo e Analista Político
