Contudo, os dias que antecederam a desincompatibilização foram marcados por idas e vindas que bagunçaram o tabuleiro.
Na quinta-feira (31), João Doria (PSDB) ameaçou ficar no governo de São Paulo e desistir da corrida à Presidência, mas voltou atrás no final do dia.
Apesar de também ser tucano, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, comunicou no começo da semana que deixa o cargo, mantendo uma possível candidatura à Presidência em suspenso e o PSDB em crise.
Além deles, anunciaram a renúncia governadores de quatro estados nordestinos com o objetivo de concorrer a vagas no Senado: Camilo Santana (PT-CE), Flávio Dino (PSB-MA), Wellington Dias (PT-PI) e Renan Filho (MDB-AL).
Rui Costa, governador da Bahia, foi considerado para sair pelo Senado, mas desistiu para ceder a vaga a outro concorrente.
Já Reinaldo Azambuja, de Mato Grosso do Sul, não vai concorrer a nenhum cargo, então cumprirá o mandato até o final. Em Pernambuco, ainda não foi decidido o futuro de Paulo Câmara. Os partidos têm até o dia 5 de agosto para escolher seus candidatos nas convenções.
Mauro Carlesse (PSL), governador do Tocantins, deixou o posto no começo de março, mas sua motivação não foi eleitoral, e sim um processo de impeachment que corria contra ele na Assembleia estadual. Assumiu seu vice, Wanderlei Barbosa (Republicanos), que vai disputar a reeleição —e portanto não precisa deixar o cargo.
Confira, a seguir, quem renuncia e quem assume em cada estado:
São Paulo – João Doria (PSDB)
O governador paulista chegou a desistir da renúncia, abrindo uma crise no PSDB. A manobra era uma tentativa de que o partido respaldasse seu nome na disputa para a Presidência, enquanto uma ala tenta contrariar a decisão das prévias e lançar Eduardo Leite ao Planalto.
No final da quinta-feira (31), o governador voltou atrás e afirmou seguir o plano, deixando o posto para seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB), que pretende se reeleger em outubro com o apoio de vários partidos que integram a busca pela terceira via.
Garcia foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo e acumulava o cargo de secretário de Governo, enquanto era vice de Doria. Em 2021, depois de 27 anos, saiu do Democratas para se filiar ao PSDB.
Rio Grande do Sul – Eduardo Leite (PSDB)
Já tendo se manifestado contra a reeleição, Leite anunciou que renunciava ao cargo no dia 29 de março. Na mesma ocasião, disse que não deixaria o PSDB, mantendo seu futuro político em aberto, já que, mesmo com a renúncia, pode disputar o governo, se quiser, ou sair candidato ao Senado. Por enquanto, seu partido afirma que o candidato à Presidência é Doria.
Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) assume o governo gaúcho. Ele foi delegado da Polícia Civil por mais de 20 anos e, enquanto vice, acumulou também a função de secretário de Segurança Pública. Antes disso, assumiu o mesmo cargo no município de Canoas e foi chefe da Polícia Civil durante o governo de Tarso Genro (PT) no estado.
Ceará – Camilo Santana (PT)
Reeleito no primeiro turno das eleições de 2018 em uma votação histórica, em que levou 79,95% dos votos válidos, Camilo deixará o governo do Ceará antes da hora para sair candidato ao Senado.
O governo cearense ficará nas mãos de Izolda Cela (PDT), cuja posse está marcada para hoje. Ela será a primeira mulher a governar o estado.
Professora e psicóloga, ela foi subsecretária de Desenvolvimento da Educação em Sobral desde 2001 e, entre 2007 e 2014, foi secretária de Educação estadual.
O governador do Piauí já deixou o posto na quinta-feira (30) depois de cumprir quase quatro mandatos como chefe do Executivo local. Ele foi governador entre 2003 e 2010 e depois a partir de 2014. Seu plano agora é sair candidato a senador.
Em seu lugar assumiu Maria Regina Sousa (PT), sua vice na chapa eleita. Negra e ex-quebradeira de coco, ela é também a primeira mulher a governar o Piauí, aos 71 anos. Professora de francês da UFPI (Universidade Federal do Piauí), é uma das fundadoras da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e do PT no estado. Ela já herdou a cadeira de Wellington Dias anteriormente, quando ele deixou o Senado para disputar o governo, em 2014.
Também de olho no Senado, Dino publicou no começo da semana em suas redes sociais uma carta ao povo do Maranhão, agradecendo pelos sete anos em que esteve à frente do Executivo estadual. No ano passado, trocou o PCdoB, partido pelo qual foi eleito duas vezes, pelo PSB, justamente para lançar sua candidatura ao Legislativo.
Hoje (2), ele passa o comando do governo para seu vice, Carlos Brandão (PSB), que deve concorrer à reeleição em outubro. Deputado federal por dois mandatos, Brandão também trocou de legenda, deixando o PSDB para ter o apoio do PT na sucessão.
Último a deixar o governo para concorrer ao Senado, Renan Filho deve ser substituído pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), o desembargador Klever Loureiro.
Isso porque seu vice, Luciano Barbosa (MDB), foi eleito prefeito de Arapiraca nas eleições de 2020. O próximo na linha sucessória, que seria o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (MDB), não quis assumir o cargo para se candidatar à reeleição. Uma eleição suplementar deve acontecer em até 30 dias depois da formalização da renúncia.
Fonte: a Redação.
