Com uma taxa de analfabetismo pouco acima dos 6% em 2019, o que representa cerca de 11 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tema da educação tem um papel central e de relevância nacional para o desenvolvimento do Brasil. Em razão do baixo desempenho escolar dos alunos em Leitura, Matemática e Ciências no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), um estudo comparativo internacional realizado a cada três anos com estudantes na faixa etária dos 15 anos, e com um déficit educacional após meses de aulas suspensas em decorrência da pandemia de Covid-19, os presidenciáveis terão um enorme desafio para melhorar a qualidade de ensino no país. Na segunda reportagem da série sobre as propostas dos quatro principais candidatos à Presidência da República, abaixo, um raio-X das propostas que visam melhorias para o setor. Na última semana, as diretrizes econômicas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL), Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (PDT) foram o assunto escolhido para a abertura das publicações.
Luiz Inácio Lula da Silva
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito e reeleito para comandar o país entre 2003 e 2010, afirma em seu plano de governo que um eventual terceiro mandato terá como objetivo o fortalecimento da educação básica, “da creche à pós-graduação”. Ao comentar sobre o atual momento da educação, o petista acusa o governo Jair Bolsonaro de cortar investimentos e regredir os avanços no setor. Segundo o documento elaborado pelo Partido dos Trabalhadores, o sistema educacional brasileiro seria gerido por ações articuladas entre União, Estados e municípios, para que as metas propostas no Plano Nacional de Educação sejam cumpridas. Ponto defendido pela candidatura petista, a recuperação do déficit educacional causado pela interrupção dos ensinos no auge da pandemia a Covid-19 é lembrada no plano de governo com a promessa de que um “programa de recuperação educacional” em paralelo com o ensino regular para que o “grave déficit de aprendizagem” seja recuperado. Em caso de retorno ao poder, Lula e Geraldo Alckmin (PSB), escolhido para o posto de vice na chapa, vão estruturar um projeto de ensino de uma educação “laica”, “gratuita”, “democrática” e com o reconhecimento dos profissionais que atuem na área. O documento assinado pela Coligação Brasil da Esperança – PT, PSB, PCdoB, PV, Psol, Rede Sustentabilidade, Solidariedade, Avante e Agir – prevê a continuidade da política de cotas sociais e raciais na educação superior.
Jair Bolsonaro
Para o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), uma das promessas na educação é valorizar os professores. Para isso, ele pretende fortalecer os planos de carreira e a remuneração da categoria. Sobre os estudantes, ele destaca que, caso seja reeleito, serão intensificadas ações para que os alunos possam exercer um pensamento crítico. Além disso, o presidente quer criar novas políticas públicas com foco na Educação Especial e a Educação de Jovens e Adultos, assim como no ensino técnico profissionalizante, ensino superior e pesquisa, com o apoio da tecnologia. De acordo com o governo, essa iniciativa “formará uma massa crítica apta a ingressar em postos de trabalho que estão sendo criados pela chamada Revolução 4.0, agregando valor à economia e permitindo maior empregabilidade dos brasileiros”. O mandatário também prevê investimento na educação básica, para recuperar o ensino afetado durante a pandemia. Dando continuidade aos compromissos dos quatro anos da gestão iniciada em 2019, o plano do presidente para um eventual próximo mandato aponta que serão priorizados os investimentos e ferramentas para dar acesso ao maior número de crianças e jovens com conteúdo educacional. É citado como exemplo de ferramenta o aplicativo Graphogame, dedicado a ensinar enquanto a criança da pré-escola e do ensino fundamental joga, por exemplo, até sem estar conectado à internet. Em relação aos programas, Bolsonaro quer dar continuidade ao Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Além disso, o presidente pretende seguir e consolidar ações complementares, como: a democratização da internet nas escolas; a construção de novas creches e a manutenção das existentes; a manutenção da Política Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)29– em consonância com pequenos produtores ou produtores locais (agricultura familiar) – em integração com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF)30; e o monitoramento da qualidade e dos resultados obtidos.
Ciro Gomes
O Projeto Nacional de Desenvolvimento, que contempla as principais propostas de governo de Ciro Gomes (PDT), coloca uma “verdadeira revolução na educação pública” como um dos alicerces para que o Brasil volte a ser uma nação feliz e próspera. Para isso, o documento entregue pelo ex-ministro da Integração Nacional ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fala em aprimorar o modelo pedagógico de ensino, defendendo que o aprendizado deve estar contextualizado à realidade dos estudantes. Na prática, as ações que compõem o programa de governo incluem: adoção do Programa Alfabetização na Idade Certa; melhor reconhecimento e qualificação dos professores e gestores escolares; criação de incentivos financeiros para escolas destaques, bem como monitoramento de instituições de ensino com piores desempenhos e ensino fundamental progressivo, com foco em eliminar o atraso escolar provocado pela pandemia. Em suma, o planejamento propõe colocar a educação pública brasileira entre as 10 melhores do mundo em 15 anos. A última cartada de Ciro Gomes no quesito é a proposta de um ensino médio profissionalizante de tempo integral, com modelo “Minha escola, meu emprego, meu negócio”, que vai representar a união do ensino profissionalizante e de ofertas de estágio remunerado pelo governo federal.
Fonte: JP.com..
