Uma parcela de 7,9% da população que vive na cidade do Rio de Janeiro enfrenta situação de fome, ou insegurança alimentar grave, quando há redução da quantidade de alimentos consumidos, inclusive por crianças, mostra o estudo Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro, o I Inquérito sobre a Insegurança Alimentar no Município do Rio de Janeiro.
O percentual significa quase o dobro dos 4,1% da população brasileira como um todo e mais de duas vezes os 3,1% do Estado do Rio de Janeiro, quando se compara com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Segurança Alimentar (2023), divulgada em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o primeiro dado oficial sobre o tema de insegurança alimentar no Brasil desde 2018.
O levantamento sobre a situação de insegurança alimentar no Rio foi uma iniciativa da Frente Parlamentar contra a Fome e a Miséria no Município do Rio de Janeiro, com financiamento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e coordenada por pesquisadores do Instituto de Nutrição Josué de Castro/UFRJ (INJC/UFRJ). Parte deles é também da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), que foi responsável por calcular informações sobre a fome no país durante a pandemia, quando não houve informações oficiais sobre o tema.
O estudo foi feito a partir de entrevistas com duas mil famílias cariocas entre novembro de 2023 e janeiro de 2024. A amostra reproduz o perfil populacional da população do município do Rio como um todo, o que permite a comparabilidade dos estudos.
Foi usada a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) para classificar pessoas e domicílios de acordo com a vulnerabilidade relacionada ao acesso aos alimentos, tanto em quantidade suficiente como em qualidade adequada, metodologia também usada pelo IBGE.
A classificação encaixa a insegurança alimentar em três graus: leve, moderada e grave. No nível leve, a família vive com alguma preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro, além de ter a qualidade de sua dieta comprometida. O nível moderado ocorre quando há diminuição da quantidade de alimentos entre os adultos.
O trabalho mostra também a situação de fome em cada uma das cinco áreas de planejamento da cidade. A de maior nível de insegurança alimentar grave é a que reúne bairros da zona norte, como Ramos, Penha e Méier, mas sem incluir a Tijuca. Nessa área, 10,1% das pessoas passam fome. O menor percentual, de 4%, está na área que reúne Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Cidade de Deus, seguida pela zona sul do Rio, com bairros como Botafogo e Copacabana, mais a Tijuca, com parcela de 4,5% da população nessa situação.
O Mapa da Fome da Cidade do Rio de Janeiro também reúne uma avaliação sobre políticas públicas e iniciativas – do governo ou da sociedade civil – existentes na cidade, como os únicos três restaurantes populares municipais (em Bonsucesso, Bangu e Campo Grande).
“Os resultados apresentados por esse mapa indicam os caminhos que devemos seguir para reduzir a fome e garantir alimentação saudável e adequada para as famílias cariocas. Identificamos e avaliamos os equipamentos e políticas de segurança alimentar e nutricional que já existem no município”, afirma a professora e pesquisadora do INJC/UFRJ Rosana Salles-Costa.
