A Universidade de Harvard planeja a emissão de até US$ 1,65 bilhão em bônus, marcando a mais recente escola da Ivy League ( grupo de instituições de ensino superior de excelência nos Estados Unidos) a emitir dívida este ano, e potencialmente fornecendo sinais de como está a situação financeira após meses de turbulência devido a alegações de antissemitismo no campus.
A universidade planeja tomar emprestado até US$ 750 milhões em títulos tributáveis de taxa fixa na semana de 4 de março e US$ 900 milhões em títulos isentos de impostos em abril, de acordo com um documento regulatório divulgado na segunda-feira (26).
Harvard tem estado sob escrutínio de legisladores, estudantes, ex-alunos e doadores na sequência do ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro, resultando na demissão este ano da presidente Claudine Gay. Alguns de seus benfeitores mais proeminentes sinalizaram que não comprometerão mais dinheiro com a escola, como os bilionários Ken Griffin e Len Blavatnik, ambos ex-alunos. Além disso, a escola enfrenta inquéritos em duas comissões do Congresso, ações judiciais federais e possíveis ações governamentais que poderiam tirar o apoio financeiro. A pesquisa patrocinada pelo governo federal representou 11% de suas receitas operacionais durante o ano fiscal encerrado em junho.
Os documentos de oferta de títulos de Harvard poderiam delinear detalhes adicionais sobre o impacto financeiro que a escola sofreu como resultado.
Os títulos tributáveis serão elegíveis para índice em um ou mais vencimentos de referência, enquanto a dívida isenta de impostos será emitida pela Massachusetts Development Finance Agency. Harvard não deu detalhes sobre como os recursos tributáveis serão usados, mas observou que os arrecadados com a venda isenta de impostos financiarão projetos de capital e um potencial refinanciamento.
O investidor bilionário Bill Ackman, um crítico de Harvard, postou no X que Harvard pode não ter esperado um declínio nas doações de ex-alunos.
Harvard não está tomando empréstimos para fins de fluxo de caixa, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.
Mesmo que Harvard registe uma queda significativa nas doações, tem liquidez para compensar o déficit. Isto contrasta com 2008 e 2009, quando Harvard e outras universidades enfrentaram dificuldades devido à quebra do mercado. Harvard detém atualmente investimentos de curto prazo de US$ 1,4 bilhão, bem como uma linha de crédito de US$ 1,5 bilhão, de acordo com seu relatório financeiro mais recente.
A faculdade tem uma classificação de crédito AAA imaculada.
Harvard contratou o Goldman Sachs & Co. para liderar as vendas, com o Barclays Plc atuando como cogerente sênior, diz o documento. Um porta-voz do Barclays confirmou o papel do banco na transação. Um porta-voz do Goldman não quis comentar.
