Na virada de setembro para outubro do ano passado, entrou em vigor uma nova fase do open finance, o chamado “open investment”, quando os clientes começaram a compartilhar informações sobre os seus investimentos entre diferentes instituições. Em seis meses, ou seja, em março deste ano, o volume de chamadas de APIs – as trocas de informações entre instituições – chegou a 360,2 milhões.
Conforme o Valor mostrou quando a nova fase estava prestes a entrar no ar, embora bancos, corretoras e demais instituições ligadas a esse universo vejam grande potencial no instrumento, a adesão deve ser gradual.
Segundo levantamento da consultoria internacional BIP, as principais chamadas de APIs de investimentos foram direcionadas à renda fixa bancária (91%). Um menor número de chamadas foi direcionado aos fundos de investimento (7%), à renda variável (2%) e aos títulos do Tesouro (1%). Renda fixa de crédito (debêntures, CRIs, CRAs, etc) não chegou a 1%.
Itaú, Banco do Brasil e Santander foram as principais instituições receptoras de dados de investimentos, correspondendo, respectivamente, a 45%, 23% e 15% das chamadas de março.
Para Luigi Iervolino, líder de open finance da BIP, o cenário confirma a percepção de que o sistema no Brasil continua mais amplo e avançado do que em muitos outros mercados. Segundo ele, o alto foco em renda fixa demonstra o crescente interesse dos bancos em usar os dados do open finance para melhorar a oferta deste tipo de investimento.
“Com base nas informações obtidas através do open finance, o banco recebedor de dados consegue entender, por exemplo, se o cliente possui recursos resgatáveis investidos em CDB de outro banco e qual é a taxa de remuneração. Desta forma, pode estimular a transferência destes recursos ofertando um CDB com características similares, mas com uma taxa maior”, avalia.
Este mês, a B3 implementou a portabilidade digital, por meio da qual pessoas físicas podem pedir, pela internet e sem burocracia, a transferência de suas aplicações entre corretoras para contas de mesma titularidade. A função havia sido liberada para alguns investidores em julho do ano passado, em período de testes, antes de ser ampliada agora.
“O processo digital diminui fricções e traz conveniência e praticidade para o investidor, de forma que ele possa exercer sua liberdade de escolha. Faz parte do compromisso da B3 tornar o ambiente de investimentos cada vez mais acessível e descomplicado para os investidores”, afirma em nota Vinícius Brancher, superintendente de pessoas físicas da B3.
Em três anos de operação do open finance no Brasil, as instituições representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) já investiram mais de R$ 2 bilhões no projeto. A entidade aponta que o sistema já tem mais de 42 milhões de consentimentos e que atualmente mais de 1 bilhão de comunicações bem-sucedidas ocorrem todas as semanas, tornando o open finance brasileiro o maior do mundo, tanto em escopo de dados como em volume de chamadas.
