Câmara de Goiânia abre ano legislativo sob tensão política e pedido de impeachment

Por Milkylenne Cardoso
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A sessão que marcou a abertura dos trabalhos legislativos de 2026, realizada nesta quarta-feira (25), foi pautada por anúncios institucionais, cobranças de servidores públicos e embates entre base e oposição. O presidente da Casa, vereador Romário Policarpo (sem partido), conduziu a solenidade e destacou a modernização estrutural promovida durante o recesso parlamentar.

Entre as melhorias realizadas no Plenário Trajano Guimarães estão a implantação de novos sistemas de biometria e sonorização, painel eletrônico atualizado, readequação das instalações elétricas, nova iluminação, troca de piso e mobiliário. O espaço passa a contar com oito bancadas e capacidade para até 40 vereadores, ampliando a estrutura para as atividades parlamentares.

A sessão contou com a presença da vice-prefeita Coronel Cláudia (Avante), além de secretários municipais. Também acompanharam a abertura profissionais das áreas da Saúde e da Educação, que se manifestaram nas galerias em defesa de melhores condições de trabalho e contra a redução no número de servidores.

Ausência do prefeito gera críticas

Vereadores da oposição criticaram a ausência do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) na sessão inaugural. Segundo o líder do Executivo na Câmara, vereador Bessa (DC), o prefeito cumpria agenda em São Paulo e enfrentou problemas no voo de retorno a Goiânia, o que inviabilizou sua participação.

Pedido de impeachment

O clima político se intensificou com o protocolo de pedido de impeachment apresentado pelo vereador Igor Franco (MDB). O parlamentar sustenta que houve improbidade administrativa por parte do prefeito, citando o descumprimento de acordo firmado com o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM) para nomeação de aprovados em concurso da Saúde.

Entre os pontos elencados no pedido estão a ausência de profissionais na rede municipal, precariedade estrutural das unidades e falhas no fornecimento de medicamentos. Igor Franco também questiona mudanças no Sistema de Registro de Preços, que passaram a admitir adesões a atas gerenciadas por entidades privadas sob controle público. Segundo ele, essa alteração impactou, por exemplo, o contrato com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que ultrapassaria R$ 621 milhões.

O líder do prefeito, Bessa, reconheceu a legitimidade do colega para protocolar o pedido, mas afirmou que o documento será analisado pelos 37 vereadores e não deverá prosperar. “Não há irregularidades que justifiquem a abertura de processo”, sustentou.

Emendas impositivas sob questionamento

Outro ponto de tensão foi a rejeição de parte das emendas impositivas apresentadas pelos vereadores à Lei Orçamentária Anual (LOA). Parlamentares da oposição criticaram os vetos, enquanto Bessa argumentou que a decisão teve como base orientações do TCM.

Segundo ele, uma reunião deve ser realizada nos próximos dias para detalhar aos vereadores os motivos técnicos da rejeição e esclarecer quais pontos podem ser ajustados para viabilizar a liberação dos recursos.

A abertura do ano legislativo, marcada por investimentos estruturais e forte debate político, sinaliza que 2026 deve ser um período de intensos embates na Câmara, com temas administrativos e orçamentários no centro das discussões.

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