Abilio Diniz, que morreu neste domingo (18), estudou na FGV na segunda turma do curso de administração, quando a escola ocupava o mesmo prédio do Ministério do Trabalho, na rua Martins Fontes, no centro de São Paulo. Ele conta, em vídeo gravado para a escola, que sua primeira opção era estudar economia, mas quando soube do curso de administração mudou rapidamente de ideia e não se arrependeu.
Há nove anos, atuava como professor no curso Liderança e Gestão, do portfólio de Programas de Educação Continuada da FGV. “Como professor posso contar coisas da minha vida, dar conhecimento com as coisas que aconteceram comigo para que os alunos decidam melhor seus caminhos para o futuro, isso me dá um prazer enorme”, disse em seu depoimento à escola.
Ao longo desses anos como professor, Diniz ensinou por volta de 1.000 alunos, na versão presencial e semestral do curso, com duração de 60 horas. Ele dava cinco aulas no programa e trazia temas inspiradores, que posteriormente eram complementados pelos professores da FGV nas aulas seguintes.
O coordenador do curso, professor Marcio Ogliara, que dá aulas no mestrado profissional da escola, diz que Diniz falava sobre sua filosofia de vida, suas crenças, sua determinação e também sobre o contexto do ambiente de negócios brasileiro e internacional, mas seu foco sempre era o varejo.
Alunos de vários cantos do país vinham para assisti-lo na esperança de trocar uma ideia com ele sobre o próprio negócio. Boa parte era de empreendedores ou profissionais que lideravam negócios familiares.
“O momento mais aguardado era quando ele abria para perguntas”, conta Ogliara. “Era o momento onde ele encantava os participantes (entre 40 e 50 alunos em cada classe) com sua visão de mundo e de negócios”.
Uma das frases de efeito que Diniz gostava de dizer em sala de aula era: “Eu não sou o cara mais inteligente do mundo, se eu consegui fazer as coisas que eu fiz, qualquer um de vocês consegue”, lembra Ogliara.
A professora Maria José Tonelli, professora da Eaesp-FGV, destaca que em suas aulas Diniz era muito pragmático e sempre trazia exemplos práticos. “Ele queria passar o seu legado, então contava o que deu certo e o que deu errado, como os momentos em que quase afundou e perdeu tudo”, ressalta.
Essa disposição de falar sobre erros e acertos, segundo ela, era um diferencial. Tonelli lembra de uma aula que acompanhou um dia após a missa de sétimo dia da morte do filho João Paulo Diniz. Havia uma apreensão na escola, se ele iria ou não comparecer, mas ele não faltou. “Ele foi e falou da sua dor e que, apesar dela, queria estar lá”, conta. Ele disse: “Quando você perde um pai fica órfão, quando perde um cônjuge fica viúvo, quando perde um filho, isso não tem nome”, lembra a professora.
