Surpresas da atividade econômica global pararam de ser tão positivas, diz Campos Neto | Finanças

Por Milkylenne Cardoso
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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse durante evento em São Paulo que o ciclo de afrouxamento monetário das maiores economias do mundo se inicia em um momento em que as dúvidas ainda são elevadas. “O Banco Central Europeu começou a cortar juros hoje com discurso cauteloso”, disse.

“Temos tido surpresas positivas no tema do emprego global, o que tem se traduzido em pressões de inflação de serviços. Há, por outro lado, esperança que a desinflação de manufaturados se converta em uma desinflação mais organizada daqui para frente. As surpresas da atividade econômica global pararam de ser tão positivas, mas ainda vemos diferença entre manufatura e serviços”, afirmou. “A precificação dos EUA começa a apontar para dois cortes [este ano], mas gera incômodo pensar de onde virá a desinflação daqui para frente.”

O banqueiro central nota, ainda, que o apreçamento de cortes nos EUA liderou grande parte da aversão a risco em emergentes nos últimos tempos e que as condições financeiras americanas estão relativamente frouxas apesar dos juros mais altos. Os juros funcionam como um freio, diz, mas outros mercados servem como um contraponto a isso, como crédito e bolsa.

Em termos de crescimento da dívida pública, nota que dois terços da modalidade se concentram em Japão, EUA e Europa e que o custo de rolagem subiu bastante. “O mundo emergente vai sentir mais rápido que o mundo desenvolvido. Temos preocupação como vai ser o efeito contaminação desse juro americano mais alto por muito mais tempo no mundo emergente”, diz.

“A pauta fiscal começou a ficar um pouco mais no radar da comunidade internacional e isso tem implicação para o mundo emergente e o Brasil, isso porque o fiscal brasileiro também fica mais em foco.”

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Fonte: valor.globo.com

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