Qual é o melhor horário para trabalhar? Especialistas respondem | Carreira

Por Milkylenne Cardoso
7 Min Read

É melhor trabalhar pela manhã, à tarde ou à noite? A resposta para a pergunta que aponta o período em que há maior produtividade pode não ser tão simples quanto parece. Isso porque, segundo especialistas ouvidos pelo Valor, esse “timing” varia de pessoa para pessoa. Entender quando é o pico de desempenho pode ajudar os profissionais a concentrarem seus esforços para um melhor retorno de resultados.

Chamado de “horário nobre” pelo especialista em produtividade e gestão do tempo Christian Barbosa, é nesse período que, segundo ele, há maior criatividade a ser explorada nas funções laborais. É quando é preciso alocar as tarefas que exigem mais atenção. Ele é autor dos livros “A tríade do tempo” e “Equilíbrio e resultado”.

“Ao colocar as atividades mais complexas, difíceis e chatas nesse horário, há uma tendência de fluir melhor. O que as pessoas acabam fazendo, normalmente, é que elas pegam seus melhores horários, lotam com coisas que não exigem tanta cognição e acabam tendo uma subperformance porque não usam o seu melhor momento para fazer o que é mais complicado”, explica.

De acordo com Barbosa, são quatro grupos de pessoas:

  • matutinas: pessoas que performam melhor durante a manhã, acordam cedo e se sentem recuperadas e bem para trabalhar no período; dormem cedo;
  • vespertinas: produzem melhor entre o começo da tarde e o fim da tarde; dormem mais tarde e acordam mais tarde;
  • noturnas: pessoa que dorme tarde, acorda tarde e a performance é maior no início da noite; são as pessoas que “tem gás, enquanto os outros já estão morrendo”;
  • adaptativas: possuem preferências de horário, mas conseguem se adaptar a diferentes horários.

E por que existem hábitos tão diferentes? Entre os fatores que influenciam o horário de maior produtividade, segundo especialistas, estão o cronotipo e o ciclo circadiano.

O cronotipo, segundo Vanessa Cepellos, psicóloga e professora de Gestão de Pessoas da FGV-EAESP, se refere às horas naturais em que cada corpo determina a preferência de horários para as atividades diárias.

Já o ciclo circadiano, ainda segundo Vanessa, é o mecanismo que regula as atividades do corpo, impactando os momentos em que somos mais produtivos. O ciclo dita as alterações que ocorrem em nosso organismo, como a temperatura do corpo e níveis de hormônio, explica a professora.

Um estudo da agência internacional OnePoll (2022), a pedido da empresa britânica Office Freedom, feito com 2.000 funcionários de escritório do Reino Unido, apontou que, nos escritórios, os trabalhadores atingem seu nível mais produtivo às 10h22 e atingem uma queda às 13h27. A pesquisa também descobriu que 58% dos funcionários lutam para passar um dia sem sentir altos e baixos nos níveis de produtividade.

No Brasil esse período de pico pode ser ainda mais cedo.

“O brasileiro é um povo mais matinal, então a gente tem um pico de performance durante o horário da manhã. Claro que isso é variável de pessoa para pessoa, mas se a gente pudesse dar uma média, a manhã é uma tendência”, diz Barbosa.

Para entender a tendência, contextos de trabalho e a experiência individual de cada um, de acordo com Vanessa, também influenciam no desempenho.

Como entender o seu horário de maior produtividade

Segundo a professora, você precisa:

  • realizar um mapeamento do dia;
  • anotar os horários em que se sentiu com mais energia ao longo do dia;
  • registrar horários que teve um desempenho melhor, durante o período de uma semana.

Analisando os resultados, a professora explica que é possível ter uma melhor visualização do horário de produtividade.

A partir disso, diz Vanessa, a pessoa pode alocar suas principais atividades ou tarefas que exigem maior atenção, concentração ou criatividade nesses momentos de pico de produtividade.

Meu horário de produtividade pode mudar?

Vanessa ressalta que o horário de maior produtividade pode mudar ao longo da vida, especialmente por conta do envelhecimento, que afeta a capacidade de o organismo produzir melatonina, hormônio responsável por estimular o sono.

O hormônio é produzido na glândula pineal somente à noite, na ausência de luz, e sinaliza para o corpo que a hora de dormir chegou, ou seja, o período noturno.

“Geralmente, as crianças são mais matutinas e os jovens são mais vespertinos ou noturnos. Outro fator que influencia são os hábitos ao longo da vida que podem mudar, exigindo maior produtividade em determinados momentos do dia do que em outros”, enfatiza.

Além disso, há quem deseja trocar o cronotipo. Barbosa, especialista em produtividade, explica que se uma pessoa é noturna e quer ser diurna, a mudança exige mudanças de rotina, alimentação, atividades físicas e até no ciclo de amizade, em alguns casos.

“Às vezes, a mudança não é positiva para o seu corpo, [você] vai entrar em guerra consigo mesmo. Você vai acordar, vai ficar com sono, vai ficar mal. A história de ‘todo mundo que acorda às cinco da manhã é produtivo’ é mentira. Não importa a hora que você acorda, o que importa é o que você faz da hora que você acorda até a hora que você dorme. Isso que faz você ter resultados ou ser produtivo. Dá para mudar, não é fácil, vai exigir muito esforço, mas não é impossível”, diz.

Fonte: valor.globo.com

Share This Article