Prefeito de Aparecida de Goiânia presta contas e detalha esforços para reorganizar finanças do município

Por Milkylenne Cardoso
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Leandro Vilela expõe cenário de dívidas herdadas, dificuldades fiscais e ações para retomar obras e serviços públicos; município está sem nota Capag e enfrenta limitações para novos investimentos

Em coletiva à imprensa e durante sessão na Câmara Municipal, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), apresentou nesta semana um panorama das finanças da cidade e detalhou ações realizadas pela gestão no primeiro quadrimestre de 2025. Segundo o chefe do Executivo, o município ainda enfrenta sérias dificuldades fiscais, com dívidas herdadas de R$ 487 milhões da gestão anterior, das quais cerca de R$ 154 milhões (31%) permanecem pendentes, e outras estão em processo de negociação.

O saldo financeiro exposto é preocupante: com uma Receita Corrente Líquida (RCL) de R$ 2,19 bilhões, o passivo representa aproximadamente um quinto do orçamento anual. Para tentar reverter o cenário, a administração já firmou acordos que somam R$ 93 milhões: R$ 22 milhões para o Aparecida Prev (regime previdenciário dos servidores), R$ 30 milhões ao Hospital Municipal de Aparecida (HMAP) e R$ 26 milhões à Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), além de outros R$ 15 milhões em acertos diversos.

Capag: entrave para novos investimentos

Vilela também revelou que Aparecida está atualmente sem a nota de Capacidade de Pagamento (Capag), emitida pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o que impede o município de acessar financiamentos junto a instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos Brics.

“A situação fiscal do município não é que foi rebaixada, ela está sem a nota Capag. Isso compromete a possibilidade de obter recursos importantes para antecipar investimentos”, afirmou o prefeito.

Ajustes e contenção

De acordo com Vilela, parte da estratégia para retomar o equilíbrio das contas incluiu cortes “profundos” de gastos. Mesmo assim, o município comprometeu 40% do orçamento com folha de pagamento e contratos em andamento, o que reduz significativamente a margem para novos investimentos.

A receita do município nos primeiros quatro meses do ano ficou em R$ 728,3 milhões, com crescimento inferior a 1% em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, as despesas constitucionais foram mantidas acima dos mínimos exigidos por lei: na Educação, foram aplicados R$ 105 milhões (26,19% da receita), e na Saúde, R$ 71 milhões (17,62%).

O prefeito destacou ainda ações em andamento, como a recuperação asfáltica em bairros como Santa Luzia e Parque Lafaiete, a retomada de obras paradas de dois Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e a modernização administrativa da prefeitura, com digitalização de processos.

Câmara “parceira”, mas com cobranças

Durante a sessão de prestação de contas, o presidente da Câmara, vereador Gilsão Meu Povo (MDB), reforçou o apoio do Legislativo às ações do Executivo. “A Câmara e os 25 vereadores estão ao lado do prefeito nesse momento difícil, acreditando em uma Aparecida melhor”, declarou.

Apesar do tom conciliador, parlamentares também fizeram cobranças. O vereador Felipe Côrtes (PL) levantou preocupação com o embargo do Aterro Sanitário pelo Ministério Público, que pode elevar os custos da coleta e destinação do lixo urbano. A prefeitura informou que busca alternativas por meio de parcerias com a iniciativa privada para tratar os resíduos sólidos.

A gestão de Leandro Vilela tem diante de si o desafio de manter os serviços essenciais, recuperar a capacidade de investimento e reestruturar o equilíbrio fiscal do município. Com uma base aliada sólida no Legislativo, o sucesso da estratégia dependerá da efetividade na renegociação de dívidas e da recuperação do selo Capag, crucial para garantir novos aportes e retomar o ritmo de crescimento urbano e social de Aparecida.

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