A desaceleração da inflação ao consumidor dos Estados Unidos em abril mostra que a economia não está sobreaquecendo, o que deve confortar o Federal Reserve (Fed), mas não o suficiente para alterar o cenário de manutenção dos juros na faixa de 5,25% a 5,5% por um período longo, avalia o time de economistas para os Estados Unidos do Bank of America (BofA), em relatório divulgado hoje.
“A inflação pode estar rígida, mas não está se reacelerando. O Fed deve se confortar com os dados de preços de abril, mas a inflação de serviços ainda está acima da meta. A barreira para aumentos [de juros] é alta, mas os cortes ainda estão distantes”, informa a nota, referindo-se ao índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) divulgado na quarta-feira.
Com base nos números do CPI e do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) de abril, o BofA projeta que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), medida de inflação preferida do Fed, subirá 0,23% em abril ante março e 2,8% na comparação anual.
Já em relação aos dados de vendas no varejo, publicados no mesmo dia do CPI, a surpreendente estabilidade ocorreu por fatores sazonais, após as vendas no setor varejista sem lojas físicas saltar em março por conta de promoções. “A volatilidade nas vendas do setor injetou ruído no varejo em março e abril. Excluindo essa categoria, o sinal é de um crescimento moderado nos gastos do consumidor”.
Com suas ressalvas aos dados divulgados nesta semana, os economistas do banco não acreditam que o Fed esteja muito mais próximo de um corte de juros. Considerando a própria visão dos banqueiros centrais, a inflação mais fraca liderada por preços de bens não é suficiente diante dos preços mais caros de serviços e do setor imobiliário.
“Em nossa previsão, a inflação de residências desacelera de sua atual taxa mensal de 0,4% para 0,3% no final deste ano. Uma inflação um pouco mais baixa no setor provavelmente daria ao Fed mais confiança de que a inflação está de fato convergindo para [a meta de] 2%. Continuamos a esperar o primeiro corte de juros em dezembro”, completam os economistas do BofA.
